Como Invencível se destacou em meio a um gênero saturado
Aos olhos de quem não acompanha o universo de quadrinhos ou filmes de super-herói, a série animada Invencível (2021-) nada mais é que uma reprodução genérica de tudo aquilo que já foi construído ao longo dos anos. Temos uma “cópia” do Superman, do Batman, da Mulher Maravilha e até mesmo uma Liga da Justiça (que se tornaram os Guardiões Globais no desenho).
Lembro muito bem da sensação que tive quando assisti ao primeiro episódio da animação, lá em 2021, após uma indicação do meu primo. Encarando a televisão ao seu lado, não me empolguei nem um pouco durante a primeira meia hora de exibição, mas a todo momento ele me dizia que algo chocante estava por vir. Foi dito e feito, ao final do episódio uma grande revelação bombástica me fisgou o suficiente para acompanhar todo o restante da temporada e no fim acabar virando um fã de todo esse universo.
A dinâmica de poderes não é nada inovadora. Há inspirações bastante claras na Detective Comics (DC) e até mesmo em Dragon Ball. O Omni-Man (ou a versão com bigode do Superman) consegue voar, tem super-força, super velocidade e resistência sobre humana. Tanto ele, quanto seu filho, Mark Grayson, vêm de uma raça guerreira natural do planeta Viltrum, onde os habitantes têm o único propósito de conquistar outros planetas universo afora, assim como a dinâmica dos Saiyajins em Dragon Ball.
Mas, se então, tantas coisas presentes em Invencível já foram feitas anteriormente, o que diferencia a série de tudo aquilo que a gente já viu? E a resposta para isso é Robert Kirkman e a sutileza que ele tem em tratar personagens com humanidade. Talvez muitos não saibam, mas Kirkman também é o autor de The Walking Dead, que foi originalmente lançado como história em quadrinhos, e tem como problemática principal o ser humano em meio a uma situação tão extrema que é um apocalipse zumbi e não a própria catástrofe viral em si.
O histórico dos super-heróis pré-Invencível
O grande arauto da figura de um super-herói talvez seja o Superman, que teve sua primeira aparição em 1938. Além de empolgar o público infanto-juvenil, ele também foi utilizado como ferramenta de propaganda política entre os Países Aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A grande trindade que daria início à Era de Ouro das Histórias em Quadrinhos viria poucos anos após o Superman, com o lançamento do Batman (1939) e Mulher-Maravilha (1941). Ambos repetiram o sucesso do Homem de Aço e a estrutura do que é uma história de super-herói foi formada no imaginário popular.
Já Invencível só viria a ser lançado no século seguinte, em 2003, durante uma época em que poderes e atos heroicos já estavam em certa medida banalizados. Não havia mais razão para espalhar o American Way of Life ou fazer uma propaganda ideológica, até porque isso já está impregnado na cultura ocidental.
Aproveitando-se disso, Robert Kirkman dispensou as apresentações e nos mostrou um universo previamente construído, em que super-heróis e seres humanos coexistem a décadas. O escritor voltou o foco para Mark Grayson, suas relações e a psique de cada personagem. Embora existam ameaças interplanetárias, no fim das contas, os “problemas da vida real” não podem ser ignorados, cada um possui seus dilemas morais, suas frustrações e alegrias, até porque, nem mesmo a pessoa mais forte do universo é…
Foto: Reprodução/Amazon Prime
