Pílulas de influência: degradação e golpe
Foto: Divulgação/Netflix
Ideias perigosas costumam se espalhar como vírus, disfarçadas de “verdades inconvenientes” para quem tem fome de certezas fáceis. Nesta semana, a justiça brasileira transformou em réus um ex-presidente e sua trupe, que tentaram transformar um país democrático em um brinquedo autoritário. A promessa? Poder absoluto. A realidade? Um plano mal-ajambrado que desmoronou antes mesmo de sair do papel.
Mas o que leva alguém a acreditar cegamente em discursos de força, dominação e controle? A série Adolescência, da Netflix, mergulha nesse mesmo abismo, revelando como influências digitais moldam mentes jovens e vulneráveis. No centro da trama, um garoto de 13 anos, intoxicado pelo universo red pill e por discursos de ódio à mulheres, comete um assassinato brutal contra uma colega de escola. Ele acreditou que estava apenas seguindo as regras que aprendeu online – regras que pregam que mulheres são inimigas, que o sucesso vem da agressividade e que masculinidade se impõe na base da violência.
A ficção apenas ecoa o que já acontece no mundo real. O britânico Andrew Tate, uma das maiores vozes dessa ideologia misógina, foi detido por tráfico humano e exploração sexual. Seu discurso de dominação e desprezo pelas mulheres já rendeu seguidores fanáticos ao redor do mundo – e, ironicamente, sua própria prisão. Nos EUA e no Brasil, vemos o mesmo roteiro: líderes que vendem rebeldia contra o “sistema” enquanto, na verdade, querem apenas um sistema que os favoreça. Quando pegos, gritam perseguição e fingem surpresa.
O que Adolescência escancara é o que também estamos vendo na política: a internet se tornou um campo de batalha ideológica, onde influenciadores destroem mentes e empurram seguidores para o caos, enquanto eles próprios tentam escapar das consequências. Mas a justiça, enfim, tem mostrado ser a pílula mais eficiente em revelar a verdade.

Laís Sousa
Jornalista-marketeira-publicitária comunicando em redes sociais de segunda a sexta. Escritora e viajante nas horas cheias e extras. Deusa, louca, feiticeira com trilha sonora em alta. Leitora, dançarina e pitaqueira por esporte sorte. Vamos fugir!@laissousa_
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