E aí? Porrada neles?

Em uma entrevista para o Romário, Raphinha dividiu opiniões neste domingo (23). O camisa 11 não poupou palavras para descrever sua vontade de jogar contra a Argentina pelas Eliminatórias: "Porrada neles. Sem dúvida. Porrada neles. No campo e fora do campo, se tiver que ser. Porrada neles". Mas, afinal, será que o atacante foi de fato infeliz na sua conclusão?

Raphinha em entrevista a Romário Tv (Foto: Reprodução)

Não, eu não vim aqui para falar de violência no futebol, até porque, por mais que a expressão "porrada" remeta a esse cenário, a declaração do Raphinha se tornou polêmica muito pela falta de contexto (ou pauta) do que pelo conteúdo em si. É problemático o termo "fora de campo", mas a entrevista, feita de uma maneira irreverente pelo ex-jogador, possibilita um ambiente mais acolhedor para os atletas que se sentem à vontade e de fato são sinceros nas respostas. Raphinha então estimulou a violência? De certa forma sim impulsionado pelo entrevistador, mas, além disso, Raphinha estimulou a rivalidade.

Raphinha com a camisa da seleção brasileira. Foto: Buda Mendes/Getty Images via AFP

Não, eu não vim aqui para falar de violência no futebol, até porque, por mais que a expressão "porrada" remeta a esse cenário, a declaração do Raphinha se tornou polêmica muito pela falta de contexto (ou pauta) do que pelo conteúdo em si. É problemático o termo "fora de campo", mas a entrevista, feita de uma maneira irreverente pelo ex-jogador, possibilita um ambiente mais acolhedor para os atletas que se sentem à vontade e de fato são sinceros nas respostas. Raphinha então estimulou a violência? De certa forma sim impulsionado pelo entrevistador, mas além disso Raphinha estimulou a rivalidade.

A Seleção Brasileira vive um momento de transição com troca de treinador, eliminações precoces e baixo rendimento no campo. O histórico não é bom contra a Argentina. O Brasil não chega favorito, ainda mais jogando fora de casa. Será disputado o maior clássico do planeta, e todo esse retrospecto recente ruim da Seleção mexe com os jogadores. Considerando o molde da entrevista, a fala do Raphinha, pelo menos na minha opinião, é só mais um termo do mundo da bola, como vários outros. O Brasil não vai equilibrar o jogo na porrada. Raphinha não vai jogar para ser expulso no primeiro tempo, mas vai jogar como ele joga no Barcelona: pressionando, marcando forte, movimentando bastante.

Não, eu também não vim aqui para falar de "mi, mi, mi", e repito: o termo "fora de campo" é problemático, porque já não se insere no futebol. Porém, a fala do Raphinha, tendo em vista uma conversa entre personagens do futebol, por mais que tenha um certo espaço para uma problematização, não se vincula com um certo comportamento agressivo do time durante a partida. Ninguém nunca foi campeão jogando na porrada. Foi apenas uma expressão, assim como qualquer outra, para representar o estado de espírito dos jogadores dentro de campo: "chegar junto", "ir pra cima", "marcar pesado", "dar a vida". Se Romário tivesse usado qualquer um desses termos na sua pergunta, o Raphinha teria repetido as mesmas expressões. Agora, será que teria causado essa mesma repercussão?

O jornalismo esportivo enfrenta crise: fatos e reportagens perderam espaço para opiniões polêmicas (sou hipócrita ao dizer isso? Talvez). O debate em programas esportivos é interessante. A opinião sobre o desempenho de um time ou de um comportamento de um técnico é considerável quando se sustenta em fatos, mas levantar uma polêmica desse gênero é desnecessário. Óbvio que a fala do Raphinha vai ganhar repercussão Brasil afora, principalmente na Argentina. Isso é rivalidade. A Seleção Albiceleste é bicampeã continental e atual campeã do mundo. Raphinha poderia ter se expressado melhor, mas ele respondia ao Romário ("Vai meter a porrada neles?") e não a um jornalista, e isso faz toda a diferença.

Se o comportamento do Brasil for extremamente hostil durante a partida, eu mudo minha opinião. Se de fato o Brasil for mesmo “pra porrada” contra os argentinos, eu retiro tudo que disse. Até lá, foi apenas uma manifestação comum que envolve a maior rivalidade do mundo.


Talles Rocha

Estudante de Jornalismo pela Universidade Estadual da Bahia (UESB), narrador esportivo e fundador do canal Gol a Gol no YouTube.

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