Patriotismo de Aeroporto: Quando o Amor à Pátria Tem Passagem Só de Ida
Saulo Angelo/Folhapress
Um certo defensor ferrenho da pátria decidiu que ser patriota dá muito trabalho — melhor mesmo é amar o Brasil de longe. E foi assim que, alegando perseguição, deixou para trás o mandato e qualquer senso de responsabilidade, embarcando rumo às terras do tio Trump. Ironia do destino: aquele que sempre bradou por “ordem e progresso” provou que um filho não só foge à luta como também deixa a família para trás.
Enquanto isso, a família que outrora arquitetava planos sombrios contra a democracia hoje chora. Mas não pelas milhares de vidas perdidas em uma pandemia que nunca mereceu seu luto. As lágrimas agora são por um passaporte confiscado, uma tornozeleira apertada e a insuportável consequência de suas próprias escolhas. A memória curta os faz perguntar: “Mas que crime cometemos?” Talvez tenham se esquecido de que a história se escreve com fatos — e os deles ficaram marcados nos documentos, nos depoimentos e nos escombros da Praça dos Três Poderes.
Curiosamente, aqueles que sempre bradaram o amor à pátria agora pedem anistia, inclusive para quem vandalizou o patrimônio público. Os que defendiam "tolerância zero" contra criminosos agora choram perseguição. Estão tentando resolver seus problemas na jurisdição alheia, torcendo para que o exterior seja mais complacente do que a justiça que tanto desdenharam. Mas surpresa: alguns dos seus já descobriram que nem sempre cruzar a fronteira é garantia de impunidade. Hei, EUA, espera que deporta mais...
E assim, o patriotismo de aeroporto expõe sua verdadeira face: um amor à pátria que só dura enquanto convém. O vandalismo não foi só contra os prédios públicos, mas contra o próprio significado de servir uma nação. No fim, quem amou o Brasil de verdade, por vezes, foi deportado ou ficou e resistiu com bravura em uma época sombria em que não se fazia justiça por aqui. Por estes, prevalece a memória, a história e a luta contra toda a hipocrisia e covardia que assola o Brasil.

Laís Sousa
Jornalista-marketeira-publicitária comunicando em redes sociais de segunda a sexta. Escritora e viajante nas horas cheias e extras. Deusa, louca, feiticeira com trilha sonora em alta. Leitora, dançarina e pitaqueira por esporte sorte. Vamos fugir!@laissousa_
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