Um livramento? Kkkkkkkk
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As rosas do Dia da Mulher nem murcharam e cá estamos nós, vendo repercutir uma exposição feminina que parece #tbt: Bruna Biancardi, grávida, sendo desrespeitada por Neymar. De novo. Traição, aliás, que nem chega a ser um escândalo, porque é tão previsível quanto uma lesão antes da partida de futebol.
Mas não é "só uma traição" pela qual ele aparece de “consciência limpa” e eu me pergunto “qual consciência?!”. Não dá pra normalizar! É “mais uma” derrota das que ultrapassam as linhas de campo porque o mínimo que se espera de um homem é que respeite a mãe dos filhos…
Tudo que sei sobre o “jogador” continua sendo contra minha vontade. Nunca é sobre conquistas esportivas – porque isso ele não entrega há tempos – mas por derrotas morais que fazem estrondoso impacto na sociedade. Sim, porque há uma parcela dela que insiste em defendê-lo, admirá-lo - como se desse pra desvincular o “ídolo” da “índole” - e passar pano para o que há de mais nocivo no patriarcado: a ideia de que homens podem tudo, sem consequências.
Bruna Marquezine, que saiu ilesa dessa novela, há tempos já tinha dado a deixa para sua liberdade com aquele riso gostoso quando Blogueirinha perguntou sobre "um livramento". Na época, a resposta dela foi uma gargalhada espontânea que todo mundo entendeu e riu junto.
Mais essa exibição de misoginia mostra que as lutas femininas continuam as mesmas e precisamos continuar lutando pelo respeito, que deveria ser nosso pelo simples fato de existirmos. Ainda enfrentamos índices alarmantes de feminicídio, jornadas “múltiplas” de trabalho e a constante objetificação de nossos corpos. Maternar continua sendo um fardo desigual, como os salários.
Ainda é preciso dizer que trair não é sobre testosterona incontrolável, é sobre falta de caráter; fidelidade não é um conceito ultrapassado, mas um combinado básico entre duas pessoas; expor uma mulher grávida a esse tipo de humilhação pública não é só "vida pessoal", é reflexo de um sistema que ensina homens a se safarem e mulheres a perdoarem.
E não existe desculpa pra Neymar, porque ainda que fosse o “menino” (imaturo), as ações repetidas mostram que ele não é inocente, ele sabe exatamente o que faz. Ele faz porque pode. Porque nunca teve consequências reais. Porque sempre tem uma horda disposta a justificar o indefensável.
A influência desse cara é nociva. Ele não é só um jogador que já teve talento e desperdiçou. Ele é um reflexo do que há de pior no machismo estrutural. Ele é um modelo tóxico de masculinidade para outros “meninos” que entendem que desrespeitar mulheres não impede sucesso, fama, dinheiro ou apoio.
Precisamos evoluir, como sociedade, para que situações mil, inclusive como a vexaminosa de Bruna Biancardi, não continuem a acontecer com repetição. E pra que ela não seja ainda massacrada por confiar, por acreditar, por sofrer e sentir… por ter sido socialmente preparada para se doar por uma família temente a Deus e conservadora das hipocrisias do patriotismo.
No fim das contas, quem tem que se desculpar mesmo? Porque não é Luana Piovani. Ela nunca esteve errada. Se foi convocada a se retratar judicialmente, não foi porque mentiu – mas porque ousou falar o que todo mundo vê, mas ela tem coragem de dizer sem conivência de parças.
Eu torço pelo livramento desta Bruna também. Para que ela possa enfim rir de verdade, de felicidade, de satisfação genuína, e não apenas para disfarçar frustração, culpa e dor por não ter se livrado do genitor de suas duas e mais outra menina.

Laís Sousa
Jornalista-marketeira-publicitária comunicando em redes sociais de segunda a sexta. Escritora e viajante nas horas cheias e extras. Deusa, louca, feiticeira com trilha sonora em alta. Leitora, dançarina e pitaqueira por esporte sorte. Vamos fugir!@laissousa_
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