Estádios mais seguros: projeto avança para combater assédio e ampliar presença feminina no futebol
A presença feminina nos estádios ainda enfrenta barreiras importantes no Brasil. Dados do estudo “Mulheres no Futebol”, realizado pelo W.Lab, revelam que apenas uma em cada três mulheres frequenta arenas esportivas — e, entre aquelas que acompanham partidas, somente 9% se sentem seguras para ir sozinhas. O principal fator apontado é a falta de segurança.
Diante desse cenário, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados avançou em uma pauta considerada urgente: foi aprovado o Projeto de Lei 2448/22, que estabelece medidas para combater o assédio e a importunação sexual nos estádios brasileiros.
A proposta amplia a responsabilidade pela proteção das mulheres, envolvendo não apenas o poder público, mas também federações, clubes, torcidas organizadas e todos os responsáveis pela realização dos jogos. A ideia é garantir que os estádios sejam, de fato, espaços seguros — tanto para lazer quanto para o exercício profissional.
Autora do projeto, a deputada Sâmia Bomfim destaca que o objetivo é criar uma rede de proteção efetiva dentro e fora das arenas. Segundo ela, é fundamental que haja acolhimento às vítimas, encaminhamento aos serviços de apoio, além de campanhas educativas e preventivas.
O texto também determina ações práticas: casos de assédio deverão ser comunicados imediatamente aos órgãos de defesa da mulher, e os organizadores dos eventos terão que colaborar na identificação dos agressores. Além disso, os estádios deverão disponibilizar canais de denúncia, informações visíveis ao público e estruturas de atendimento durante as partidas.
Mas o problema vai além das arquibancadas. Um levantamento da jornalista esportiva Camila Alves, divulgado em 2023, aponta que mais da metade das jogadoras das principais divisões do futebol brasileiro já sofreu algum tipo de assédio — seja moral ou sexual.
O projeto altera a Lei Geral do Esporte, considerada o principal marco regulatório do setor no país, e agora segue para análise no Senado Federal.
Um passo importante para transformar o futebol em um ambiente mais seguro, inclusivo e respeitoso — dentro e fora de campo.





