“A situação da cultura não muda, continua uma vergonha”, afirma Xandó ao denunciar abandono do setor em Vitória da Conquista

Durante sessão solene, vereador revelou que grupo homenageado pela Câmara treina no escuro e criticou a paralisação de processos de tombamento histórico
Foto: Ascom Câmara Municipal
  • Da Mega
  • Atualizado: 21/03/2026, 12:37h

A sessão solene dedicada à cultura, realizada nesta sexta-feira (20) na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, foi marcada por um tom de cobrança. O vereador Alexandre Xandó (PT) utilizou a tribuna para relatar o que classificou como uma situação de abandono do setor por parte do Executivo municipal, destacando a falta de infraestrutura básica para artistas locais e o fechamento de espaços tradicionais.

"Eu estava resgatando os meus discursos e, infelizmente, eu faço o mesmo discurso há vários anos porque a situação da cultura do município não muda. Continua uma vergonha", iniciou o parlamentar.

O ponto central do discurso foi a denúncia sobre as condições de ensaio do grupo cultural "Nossa Arte", que atua no bairro Jardim Valéria e era um dos homenageados da sessão.

Segundo Xandó, o grupo está há meses treinando em uma quadra pública sem energia elétrica, precisando improvisar a iluminação com faróis de carros e motos. O parlamentar destacou a contradição da situação, lembrando que autoridades do município visitaram o projeto no ano anterior e registraram fotos, mas o problema estrutural persiste.

"A gente vem aqui e bate palma fingindo que está tudo bem. Está bonito para a nossa cara?", questionou o vereador, sugerindo que, caso a iluminação não seja restabelecida pela Prefeitura, o grupo grave um vídeo no escuro segurando a placa de homenagem para expor a realidade.

O pronunciamento também detalhou a situação de degradação dos equipamentos culturais da cidade e a perda de recursos. Xandó listou os seguintes problemas:

  • Espaços interditados: O vereador apontou que o Teatro Carlos Jeová e o Cine Madrigal estão fechados há anos, e que a Casa Glauber Rocha corre risco de desabamento.

  • Verba devolvida: O município teria devolvido R$ 300 mil ao Governo Federal, recurso que, segundo o parlamentar, era destinado à reforma de aparelhos culturais.

  • Tombamento paralisado: Xandó denunciou que um pedido de tombamento histórico do Teatro Carlos Jeová, embasado por um estudo técnico de 50 páginas, está paralisado há três anos na Secretaria de Cultura. Ele comparou a lentidão do processo com a rapidez da aprovação do tombamento do próprio prédio da Câmara Municipal, questionando se a demora seria motivada por perseguição política ao seu mandato.

A falta de fomento para projetos sociais também foi alvo de críticas. O vereador citou grupos de capoeira que oferecem aulas gratuitas e precisam pedir doações de porta em porta para alimentar as crianças. Ele sugeriu que a Prefeitura utilize o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para fornecer refeições a esses projetos.

Além disso, Xandó criticou a atual estrutura do Conservatório Municipal, que foi transferido para um prédio considerado inadequado para o ensino musical, apresentando problemas de acústica, iluminação e falta de espaço para comportar a quantidade de alunos.

Finalizando sua fala, o vereador informou a classe artística local sobre a disponibilidade de verbas federais para amenizar a crise no setor. Ele destacou que o Governo Federal destinou R$ 1 milhão ao município por meio da Política Nacional Aldir Blanc, e que o edital para a inscrição de projetos culturais segue aberto até o dia 9 de abril.

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