Justiça condena PagSeguro a devolver R$ 15 mil a vítima de golpe do Pix em Vitória da Conquista

Decisão da 3ª Vara Cível apontou falha de segurança da instituição ao permitir que estelionatários abrissem contas na plataforma para receber valores de fraudes
Foto: Reprodução
  • Da Mega
  • Atualizado: 17/03/2026, 03:16h

A 3ª Vara Cível da Comarca de Vitória da Conquista determinou que a empresa PagSeguro Internet ressarça em aproximadamente R$ 15 mil, com acréscimo de correção monetária e juros mensais, uma consumidora que foi vítima de fraude bancária. A decisão reconheceu que houve falha nos mecanismos de controle e segurança da instituição financeira.

O caso foi conduzido judicialmente pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), por meio dos defensores públicos Walter Iannone Tarcha e Robson Vieira Santos, atuantes na área Cível e de Relações de Consumo.

De acordo com os autos do processo, o crime ocorreu em novembro de 2023. A vítima recebeu uma mensagem de texto (SMS) relatando uma suposta atividade suspeita em sua conta bancária e orientando que ela ligasse para um número com prefixo 0800.

Ao efetuar a ligação, a consumidora foi atendida por um criminoso que se passava por funcionário do Mercado Pago. Utilizando técnicas de engenharia social, o golpista a convenceu de que era necessário fazer uma "atualização de segurança" no sistema. Induzida ao erro, a vítima realizou diversas transferências via Pix para as contas indicadas pelos criminosos, totalizando o prejuízo de R$ 15 mil.

Durante o processo, a PagSeguro argumentou em sua defesa que atuou apenas como intermediadora dos pagamentos e que a responsabilidade seria exclusiva da vítima, que forneceu as informações e realizou as transferências de forma voluntária.

No entanto, a sentença judicial refutou esse argumento, baseando-se no Código de Defesa do Consumidor (CDC) e no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O juízo concluiu que a responsabilidade do banco é objetiva (independe de culpa) e configura "fortuito interno" — ou seja, as fraudes praticadas por terceiros são um risco inerente à própria atividade bancária.

A decisão destacou que o golpe só foi concretizado porque a PagSeguro não adotou medidas rigorosas para verificar a identidade e a confiabilidade das pessoas que abriram as contas receptoras do dinheiro na plataforma.

"Trata-se de fraude cometida via Pix, em que temos insistido em acionar o banco de destino da transferência, em razão de permitir que estelionatários abram contas sem a cautela necessária", explicou o defensor público Robson Vieira Santos, avaliando a sentença como um avanço jurídico na defesa dos consumidores.

Aproveitando a repercussão do caso, a Defensoria Pública do Estado da Bahia emitiu um alerta reforçando que todos os seus serviços são inteiramente gratuitos. A instituição não solicita depósitos, transferências Pix ou qualquer tipo de pagamento para agilizar processos ou prestar atendimento jurídico.

A orientação é que a população denuncie contatos que peçam dinheiro em nome do órgão. Consumidores que necessitem de assistência jurídica gratuita em Vitória da Conquista podem buscar a 2ª Defensoria Pública Regional nos seguintes canais:

  • Endereço: Sede Valdemir Pina (Loteamento Itamaraty) – Rua Rio Doce, nº 2294, bairro Candeias.

  • Telefone Fixo: (77) 3229-2050

  • Celulares Institucionais: (71) 99624-2776 e (71) 99924-0746

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