Bolsonaro é internado na UTI com broncopneumonia
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (13). Ele precisou ser transferido às pressas de ambulância após apresentar um quadro agudo de febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese, calafrios e vômitos durante a madrugada.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha". Devido à internação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou um esquema de segurança rigoroso e estabeleceu regras estritas para as visitas no ambiente hospitalar.
O quadro médico: Broncopneumonia aspirativa
De acordo com o boletim médico assinado pelo cardiologista Brasil Caiado e pela direção do Hospital DF Star, os exames confirmaram uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Essa condição ocorre quando líquidos do estômago ou da boca (como refluxo ou vômito) entram nas vias respiratórias e atingem os dois pulmões, causando uma grave infecção bacteriana.
Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que visitou o pai, a aspiração do líquido estomacal foi provocada por crises frequentes de soluços. O médico Brasil Caiado explicou que o quadro agudo teve rápida progressão durante a madrugada.
No momento, o ex-presidente:
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Encontra-se consciente e lúcido, porém com a voz fraca e abatida.
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Recebe tratamento com antibióticos na veia e suporte clínico não invasivo.
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Não tem previsão de alta e deve permanecer hospitalizado por pelo menos sete dias para a avaliação da resposta aos medicamentos.
Regras do STF e esquema de segurança
Com a transferência para o hospital, Alexandre de Moraes cancelou todas as visitas que estavam previstas para ocorrer na prisão e determinou protocolos específicos para o período de internação.
Quem pode visitar: O ministro especificou nominalmente os familiares autorizados a entrar no quarto. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) — que publicou nas redes sociais uma mensagem pedindo orações e afirmando que "Deus está no controle" — foi autorizada a permanecer no local na condição de acompanhante. Além dela, têm entrada permitida:
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Os filhos: Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura Bolsonaro.
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A enteada: Letícia Marianna Firmo da Silva.
Restrições e Segurança: Para garantir o cumprimento da pena mesmo no ambiente hospitalar, o STF determinou:
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Vigilância 24 horas: O Núcleo de Custódia da PMDF deve manter equipes de prontidão dentro e fora do hospital, com no mínimo dois policiais militares permanentemente na porta do quarto.
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Proibição de eletrônicos: É estritamente proibida a entrada de computadores, telefones celulares ou quaisquer outros dispositivos eletrônicos na UTI e no quarto (exceto equipamentos médicos), cabendo à polícia fiscalizar a restrição.
Bolsonaro está detido na sala de Estado Maior da Papudinha desde janeiro. O local foi adaptado a pedido da defesa e conta com apoio médico 24 horas, fisioterapia, cozinha e barras de apoio.
A saúde do ex-presidente tem sido o principal argumento de seus advogados para solicitar a conversão da pena em prisão domiciliar. Ele já havia passado mal em setembro do ano passado (com vômitos e tontura) e, em janeiro deste ano, precisou de atendimento após bater a cabeça em um móvel da cela na sede da Polícia Federal.
Apesar das reiteradas solicitações da defesa alegando fragilidade na saúde de Bolsonaro, os pedidos de prisão domiciliar vêm sendo negados por Alexandre de Moraes. As negativas são embasadas em laudos de uma junta médica da Polícia Federal, que atestou que, embora o ex-presidente necessite de cuidados contínuos (ele faz uso de sete medicamentos diários para o sistema digestivo), a unidade prisional atual possui estrutura adequada para mantê-lo.









