Prefeitura e Governo Federal divergem sobre responsabilidade no atraso de obras de drenagem

Após ministro Rui Costa afirmar que município não entregou projetos técnicos, gestão municipal divulgou dados alegando que propostas estão aprovadas e esbarram na burocracia da Caixa Econômica
  • Da Mega
  • Atualizado: 11/03/2026, 02:57h

O atraso na liberação de recursos federais para obras de macrodrenagem em Vitória da Conquista tornou-se alvo de divergências públicas entre a Prefeitura Municipal e o Governo Federal. O debate ganhou força em meio à crise provocada pelas recentes chuvas que atingiram a cidade, resultando em alagamentos severos e no desaparecimento de uma moradora.

O detalhamento dos trâmites burocráticos divulgado pela Prefeitura Municipal foi uma resposta direta às declarações do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Na tarde da última terça-feira (10), em entrevista ao programa UP Notícias (100.1 FM), o ministro rebateu um vídeo publicado pela prefeita Sheila Lemos, no qual ela afirmava estar no aguardo da liberação das verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Durante a entrevista à rádio local, Rui Costa apresentou o cronograma federal para demonstrar que os recursos já estão garantidos e que o atraso se deve a pendências do próprio Executivo municipal.

Segundo o ministro, a linha do tempo ocorreu da seguinte forma:

  • Aprovação e Contratos: A Prefeitura inscreveu duas propostas no final de 2023 (somando quase R$ 9 milhões), que foram aprovadas e anunciadas pelo Governo Federal em março de 2024. Os contratos foram assinados em novembro daquele ano.

  • Alteração de Escopo: Em meados de 2025, o município solicitou a mudança do local das obras — saindo da Lagoa das Bateias para atender os bairros Jurema e Candeias. O pedido foi aceito.

  • Pendências Técnicas: Costa afirmou que a última reunião técnica entre a Caixa Econômica e a Prefeitura ocorreu no último dia 3 de março de 2026. "Até o momento, o município não entregou as pendências de projeto e os dados técnicos para viabilizar a licitação", declarou o ministro, ressaltando que, nas regras do PAC, o dinheiro só é repassado após a licitação e o início das obras.

Após a repercussão da entrevista do ministro, a Prefeitura de Vitória da Conquista veio a público detalhar o andamento das propostas. A gestão municipal confirmou o pedido de ajustamento dos projetos, datado de outubro de 2025, para remanejar os recursos para o bairro Jurema e a Avenida Caracas, visto que um trecho do Candeias já havia sido atendido por outros meios.

No entanto, a Prefeitura argumenta que os projetos orçados em R$ 9.312.217,77 já constam com o status de "Ajustada e Aprovada" no sistema federal Transferegov. De acordo com a nota oficial, as duas etapas (Propostas 968297 e 969298) seguem em fase de análise e tramitação documental interna na Caixa Econômica Federal.

A prefeita Sheila Lemos atribuiu a demora aos trâmites da instituição financeira. "A liberação de recursos não é algo tão simples, existe a burocracia, que nos impede de dar celeridade à obra. Os projetos estão lá desde 2023 e nós estamos trabalhando para receber esses investimentos. A celeridade tem que existir da parte de todos os entes envolvidos", rebateu a prefeita.

Outros investimentos em pauta

Independentemente das verbas retidas no PAC, o Executivo municipal destacou que no dia 13 de janeiro deste ano assinou uma Ordem de Serviço de R$ 6,6 milhões em recursos próprios para a reconstrução de canais de drenagem. Desse total, R$ 1,1 milhão será destinado ao bairro Jurema, mas as obras só poderão começar quando o período chuvoso cessar.

Já do lado federal e estadual, Rui Costa anunciou na mesma entrevista que a Conder deve publicar até abril uma licitação de R$ 30 milhões para mais obras de macrodrenagem na cidade. O ministro também afirmou ter oferecido à prefeitura recursos do PAC para a construção de uma nova maternidade municipal, aguardando apenas a apresentação do projeto por parte de Vitória da Conquista.

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