Terceiro acidente grave na Avenida Caracas levanta cobrança: quantas tragédias ainda serão necessárias?

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 10/03/2026, 08:53h

O desaparecimento de Rosânia Silva Borges, de 47 anos, após um carro de aplicativo ser arrastado pela enxurrada durante a forte chuva que atingiu Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, provocou comoção, protestos e críticas de familiares e moradores à condução das buscas e às condições de segurança da via onde ocorreu o acidente.

Rosânia estava como passageira em um veículo de transporte por aplicativo que trafegava pela Avenida Caracas quando foi surpreendido pela força da água durante o temporal da tarde de segunda-feira (9). A correnteza arrastou o carro para um canal de drenagem. O motorista conseguiu sair do veículo e se salvar, mas a passageira acabou sendo levada pela enxurrada e segue desaparecida.

As buscas começaram ainda no mesmo dia, com atuação de equipes de resgate e apoio de voluntários. No entanto, a suspensão das operações durante a noite gerou revolta entre familiares e moradores que acompanhavam a movimentação no local. De acordo com informações divulgadas por familiares, a interrupção significaria um intervalo de cerca de oito horas entre a paralisação e a retomada das buscas, prevista para a madrugada do dia seguinte.

A situação provocou momentos de tensão. Parentes de Rosânia e moradores se reuniram nas proximidades da avenida e realizaram protestos, bloqueando a via e queimando pneus para chamar atenção das autoridades. Motoboys da cidade também participaram da mobilização, cobrando mais rapidez nas ações de resgate e manifestando solidariedade à família.

Em vídeos divulgados nas redes sociais e em blogs locais, familiares demonstraram desespero diante da possibilidade de redução das chances de encontrar Rosânia com vida. Uma prima da vítima afirmou que até aquele momento não havia qualquer sinal da mulher e pediu que as buscas fossem intensificadas.

Além da preocupação com o desaparecimento, moradores e trabalhadores da região também criticaram a falta de intervenções estruturais na Avenida Caracas. Segundo relatos, o local já registrou pelo menos três acidentes graves relacionados a alagamentos e enxurradas desde novembro do ano passado.

Para quem vive ou trabalha na região, a tragédia reacende um debate antigo sobre a necessidade de obras de drenagem e medidas de segurança no trecho. Motoboys e moradores afirmam que o problema se repete sempre que há chuvas mais intensas e que, apesar dos registros anteriores, nenhuma modificação significativa teria sido feita na via para reduzir o risco de novos acidentes.

Enquanto isso, equipes de resgate retomaram as buscas nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (10), percorrendo áreas próximas ao canal e pontos por onde a enxurrada pode ter seguido. Familiares e voluntários também continuam mobilizados, acompanhando os trabalhos e aguardando informações sobre o paradeiro de Rosânia.

O caso reforça o alerta para os riscos provocados por enxurradas em áreas urbanas durante chuvas fortes e amplia o debate sobre a necessidade de medidas preventivas que reduzam a vulnerabilidade de vias sujeitas a alagamentos na cidade.

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