Giovanni Ongaro supera queda de Lucas Pinheiro e garante melhor marca do Brasil

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 28/02/2026, 11:16h

Nem sempre o caminho até o esporte de alto rendimento é simples. Para o esquiador brasileiro Giovanni Ongaro, o desafio começou com uma escolha que foi muito além das pistas de neve: decidir qual país representaria. Nascido e criado na Itália, berço tradicional do esqui alpino, ele optou por defender o Brasil — uma decisão guiada pelo coração e pelas raízes familiares.A ligação com o país vem da mãe brasileira e foi justamente esse vínculo afetivo que pesou na escolha. O Defensor o Brasil teve a honra de contar a própria história e também de abrir a porta para um sonho que poderia ser mais difícil na Europa: disputar os Jogos Olímpicos. O momento mais marcante ocorreu nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, quando Ongaro cruzou a linha de chegada carregando os núcleos brasileiros justamente no país onde cresceu.Mais do que uma participação olímpica, o jovem atleta escreveu seu nome na história do esporte nacional. Aos 22 anos, Ongaro conquistou o 27º lugar no slalom — o melhor resultado já obtido por um brasileiro na modalidade nos Jogos Olímpicos. O recorde veio logo na estreia olímpica, algo que nem ele esperava. O objetivo inicial era simples: completar a prova com segurança. O resultado histórico foi consequência de anos de dedicação e sacrifício. A prova foi considerada uma das mais difíceis da competição, marcada por visibilidade reduzida e inúmeras quedas entre atletas favoritos. Enquanto muitos ficaram pelo caminho, Ongaro apostou na concentração e na capacidade de adaptação — características essenciais no esqui alpino. Sem se preocupar com o desempenho dos adversários, ele focou apenas na própria descida, uma estratégia que garantiu consistência até o fim. O crescimento do esqui alpino brasileiro também passa pela presença de atletas que ajudam a dar visibilidade ao esporte, como o companheiro de equipe Lucas Pinheiro Braathen, referência internacional na modalidade. Mesmo sem treinar regularmente juntos, Ongaro vê no colega um estímulo permanente para evoluir e buscar novos patamares.Apesar do resultado expressivo, o esquiador mantém os pés no chão. Ele sabe que a evolução técnica depende também de condições financeiras, já que o esqui alpino exige viagens constantes, equipamentos caros e treinamento em centros especializados. O sonho de alcançar um Top 20 ou Top 15 mundial existe, mas depende de patrocinadores que acreditem no projeto e viabilizem a preparação.Mais do que resultados, Giovanni Ongaro representa uma mensagem poderosa para o esporte brasileiro. Em um país tropical, onde a neve parece algo distante, sua trajetória prova que os limites podem ser superados com dedicação e coragem.Para os jovens que sonham em seguir o mesmo caminho, o atleta deixa um recado simples e direto: acreditar. Ongaro lembra que sonhos aparentemente impossíveis podem se tornar realidade quando há paixão e trabalho duro. Sua própria história mostra que a neve também pode ser território brasileiro.A trajetória do jovem esquiador é a prova de que o esporte transforma vidas, rompe fronteiras e constrói pontes entre culturas. E, se depender de Giovanni Ongaro, o Brasil continuará deixando suas marcas também nas pistas geladas do mundo.

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