Caso Bragantino–São Paulo: a fala discriminatória que reacendeu o debate sobre machismo no esporte
Rerodução: TNT Sports
No sábado, 21 de fevereiro de 2026, após a derrota por 2 a 1 do Red Bull Bragantino contra o São Paulo pelas quartas de final do Campeonato Paulista, o zagueiro Gustavo Marques protagonizou um episódio que rapidamente se transformou em um dos principais debates sobre discriminação de gênero no futebol brasileiro. Em entrevista concedida ainda no gramado, ele questionou a escolha da árbitra Daiane Muniz para apitar uma partida de grande porte, afirmando que a Federação Paulista de Futebol “deveria olhar e não colocar uma mulher para jogos desse tamanho”, comentário amplamente criticado nas redes sociais e pela imprensa esportiva.
A declaração foi recebida com profundo repúdio pelas instituições esportivas e por jornalistas, especialmente mulheres. A Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou nota oficial classificando o comentário como “primitivo, machista, preconceituoso e misógino”, ressaltando a qualidade técnica de Daiane – árbitra com credenciais nacionais e internacionais – e anunciando que encaminhará o caso à Justiça Desportiva.
Repercussão na imprensa e entre profissionais
A fala de Marques não ficou isolada. Jornalistas esportivas usaram suas plataformas para criticar não só a declaração em si, mas o padrão que ela representa no futebol. A repórter Bárbara Coelho, da CazéTV, chamou o episódio de mostra clara de misoginia, afirmando que a declaração “demonstra desonestidade e covardia” e que não houve, no decorrer da partida, indícios técnicos que justificassem a afirmação de incompetência apenas pelo gênero da árbitra.
Em editoriais e análises, comentaristas como Joanna de Assis (em coluna no ge) qualificaram a fala do jogador como expressão de um machismo estrutural persistente no futebol, destacando que questionar a capacidade profissional de alguém com base no gênero perpetua estereótipos que vão muito além de uma crítica esportiva.
Reações sociais e institucionais
A repercussão transcendeu o ambiente esportivo. Nos meios de comunicação e nas redes sociais, torcedores, torcedoras e ativistas reforçaram a importância de combater o machismo no esporte e na sociedade. Inclusive órgãos governamentais ligados aos direitos das mulheres se manifestaram oficialmente, repudiando as declarações e chamando atenção para o impacto de discursos discriminatórios no cotidiano das mulheres brasileiras.
Internacionalmente, veículos esportivos também repercutiram o episódio, classificando o comentário como um “escândalo” e destacando a necessidade de erradicar atitudes sexistas no futebol — um esporte onde a presença feminina cresce em todos os níveis, das arquibancadas aos gramados e centros de comando.
Pedido de desculpas e consequências
Diante da pressão, o próprio Gustavo Marques voltou à zona mista e pediu desculpas públicas, dizendo que falou de “cabeça quente” e reconheceu o erro, inclusive relatando que foi repreendido por familiares e que procurou Daiane Muniz pessoalmente para se retratar. O Red Bull Bragantino também emitiu nota oficial repudiando a fala do atleta e anunciou que estudará uma punição interna nos próximos dias.
Ainda assim, a repercussão permanece no centro de um debate mais amplo sobre como o futebol brasileiro lida com questões de gênero — e de que forma situações como essa podem servir de ponto de inflexão para políticas de combate à discriminação, educação e maior inclusão.









