Jovem goleira do Botafogo é convocada para a Seleção Brasileira Sub-15 menos de um mês após chegar ao clube
A goleira Anna Julia , natural de Vitória da Conquista/BA, recém-chegada ao Botafogo de Futebol e Regatas, foi convocada para defensora da Seleção Brasileira de Futebol Sub-15 Feminina. O anúncio veio antes mesmo de um atleta completar um mês de treinamento no novo clube — um feito que evidencia talento, maturidade e rápida adaptação a um ambiente de alto rendimento.
A transferência para o Alvinegro carioca aconteceu há poucas semanas. O que era um novo começo transformado-se, em tempo recorde, na realização de um sonho.
“No momento da notícia, eu fiquei totalmente em choque, eu não esperava, foi algo muito rápido para mim, porque eu não tinha ficado nem um mês no clube, eu tô aqui há menos de um mês, menos de três semanas de treino, então eu fiquei em choque. Foi algo que não tava na minha realidade.”
Segundo a goleira, a dimensão da conquista só começou a ser compreendida quando as mensagens de apoio chegaram a chegar.
“E logo depois quando começou a chegar muita mensagem para mim, o povo me desejando boa sorte e tal, eu raciocinei onde que eu tinha chegado.”
Adaptação acelerada e rotina intensa
Apesar da convocação precoce, Anna Julia mantém os pés no chão. Ela reconhece que ainda está em fase de adaptação ao novo clube e à rotina profissional exigente.
"Eu ainda não conquistei totalmente o meu espaço porque estou aqui há um pouco de tempo. Então ainda estou em processo de adaptação, estou começando a entender como funciona as coisas e essa rotina nova que é aqui que é muito mais intensa."
O atleta destaca a diferença entre o futebol de formação e a estrutura oferecida pelo Botafogo. A nova rotina inclui carga completa de treinamento, academia, supervisão de alimentação e disciplina.
"A gente chega, toma café, passa a manhã inteira aqui treinando, indo na academia, almoçando, então é totalmente diferente. Um dia a gente passando uma hora na escolinha, aí voltava, ia para a escola, que é totalmente diferente, é muito mais intenso e me dá um gás maior para querer mais todo dia."
A intensidade, longe de assustar, tornou-se combustível.
“Então, a partir daí eu resolvi focar treinado bastante para chegar lá qualificado e dar o meu melhor.”
Sonho, foco e tura
A convocação representa não apenas um reconhecimento técnico, mas também um símbolo para outras meninas que sonham com o futebol. Consciente do papel inspirador que passa a exercer, Anna Julia deixa um recado direto e firme.
“Eu diria para todas as meninas terem foco, ter determinação, ter mentalidade porque em alguns momentos da vida de vocês, da carreira de vocês, vocês vão ter que abrir mão de muitas coisas.”
A jovem goleira ressalta que o caminho não é feito apenas de conquistas.
“Você precisa ter cabeça para suportar tudo isso, porque o futebol não é somente de lados bons, também tem seus lados ruínas e treinou muito, para quando chegar a oportunidade você agarrar ela com as duas mãos.”
Mesmo diante de possíveis críticas ou falta de apoio, ela reforça a importância da persistência.
"Independentemente de tudo, vocês têm que focar no sonho de vocês. Mesmo que tal pai não apoie vocês, se tal pessoa achar ruim vocês jogam futebol, independente de tudo isso, vocês têm que seguir o sonho de vocês."
Para ela, a fórmula é clara:
"Tem que ter muito treino, treino é o principal, ter foco, tudo isso é o principal para vocês chegarem onde vocês querem chegar um dia e coragem. Tem que ter coragem com tudo isso."
Um novo capítulo
A convocação para a Seleção Sub-15 marca o início de um novo capítulo na trajetória de Anna Julia. Em menos de um mês, ela saiu da adaptação ao novo clube para vestir a camisa do Brasil — um salto que traduz dedicação, talento e preparação.
Agora, o desafio é transformar uma oportunidade em consolidação. E, como a própria goleira diz, agarrar cada chance com as duas mãos.









