Ex-namorado de Sashira Camily é condenado a 22 anos e 5 meses de prisão pelo assassinato da estudante

Júri popular realizado em Feira de Santana durou quase 19 horas; crime ocorrido em 2021 chocou Vitória da Conquista. Foto: Reprodução/Instagram
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 11/02/2026, 03:59h

O Tribunal do Júri condenou, na madrugada desta quarta-feira (11), o réu Rafael Souza Lima a 22 anos e 5 meses de prisão pelo feminicídio da estudante de engenharia Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos. O julgamento, que durou quase 19 horas, ocorreu no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, e foi encerrado por volta das 3h35.

Rafael cumprirá a pena inicialmente em regime fechado e teve o direito de recorrer em liberdade negado pela Justiça.

O Crime O assassinato ocorreu em 15 de setembro de 2021, em Vitória da Conquista. Segundo as investigações e a denúncia do Ministério Público (MP-BA), o crime foi premeditado. Rafael atraiu a ex-namorada para uma lanchonete, onde teria colocado uma substância em sua bebida para dopá-la.

A jovem foi morta a facadas e seu corpo foi ocultado na cidade de Planalto, a cerca de 50 km de Conquista. O carro da vítima foi levado pelos envolvidos e, segundo a acusação, seria vendido para pagar a participação de comparsas no crime. Rafael se apresentou à polícia na madrugada seguinte ao crime, acompanhado de uma advogada, antes mesmo de a família registrar o desaparecimento oficial da jovem.

Julgamento em outra cidade Embora o crime tenha ocorrido em Vitória da Conquista, o julgamento foi transferido para Feira de Santana a pedido da defesa do réu. Os advogados alegaram que a forte comoção social e a repercussão do caso no Sudoeste baiano poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados (desaforamento).

Argumentos da Defesa e Acusação Durante o júri, o MP-BA sustentou que Rafael planejou e executou o crime, sendo o mentor intelectual e principal responsável.

Já a defesa argumentou que o réu fazia uso de medicação controlada na época e alegou ter enfrentado dificuldades para apresentar plenamente sua versão, citando que provas importantes não teriam sido disponibilizadas. Após a leitura da sentença, a defesa informou que irá recorrer da decisão, buscando a anulação do júri ou a redução da pena.

O caso envolve ainda outros dois acusados: Marcos Vinicius Botelho Fernandes de Almeida e Filipe dos Santos Gusmão. Segundo a denúncia, Filipe teria feito a intermediação entre Rafael e Marcos Vinicius. Já Marcos Vinicius teria ajudado na ocultação do corpo e indicou à polícia o local onde a vítima estava.

O processo foi desmembrado. Marcos Vinicius segue preso, enquanto Filipe responde em liberdade provisória. Ambos serão julgados em processos separados na comarca de origem.

As investigações da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) apontaram que Rafael já havia agredido Sashira quando ela tinha 17 anos. Na ocasião, uma medida protetiva foi emitida, mas já não estava em vigor na data do feminicídio.

Comentários


Instagram

Facebook