Show de Bad Bunny no Super Bowl, final do futebol americano, quebra recorde de audiência e vira alvo de críticas de Donald Trump

Apresentação histórica do astro porto-riquenho celebra a cultura latina, traz convidados de peso e provoca reação do presidente americano nas redes sociais. Foto: Mike Blake/Reuters
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 09/02/2026, 12:10h

A noite deste domingo (8) ficará marcada na história da NFL e da cultura pop. O show do intervalo do Super Bowl, comandado pelo astro porto-riquenho Bad Bunny, registrou uma audiência prévia impressionante de 135 milhões de espectadores, segundo dados da NBC. Realizado no Levi’s Stadium, em Santa Clara (Califórnia), o espetáculo não apenas superou a marca do ano anterior, como também se tornou palco de uma celebração política e cultural que desagradou profundamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O evento ocorreu durante a final entre Seattle Seahawks e New England Patriots, mas as atenções se voltaram para os 13 minutos de intervalo. Com uma cenografia impactante que reproduzia uma plantação de cana-de-açúcar, Bad Bunny transformou o palco em um manifesto latino-americano. O cantor trouxe convidados de peso: Lady Gaga, que interpretou uma versão com arranjos latinos de "Die With a Smile", e Ricky Martin, que cantou "Lo Que Le Pasó a Hawaii", faixa do álbum de Bad Bunny que aborda questões coloniais e territoriais.

O uso predominante da língua espanhola e a mensagem de união continental não foram bem recebidos na Casa Branca. Logo após o encerramento, Donald Trump utilizou sua rede social, a Truth Social, para classificar a apresentação como "absolutamente terrível" e uma "afronta à Grandeza da América".

O presidente criticou a escolha do artista e reclamou explicitamente do idioma: "Ninguém entende uma palavra", escreveu, além de descrever a coreografia como inadequada. A reação ocorre em um momento de tensão sobre as políticas de imigração do governo, com rumores anteriores de que agentes do ICE (Serviço de Imigração) poderiam ser enviados ao local — algo que não se confirmou durante o evento.

Tradução do post do Presidente Donald Trump na rede social X. Foto: Reprodução

O show foi encerrado com um momento de forte simbolismo: bailarinos entraram em campo portando bandeiras de diversos países do continente americano. Bad Bunny listou nações do Chile ao Canadá e finalizou com a declaração em espanhol: "Juntos somos a América, continuamos aqui".

Antes da partida, o tom crítico já havia sido estabelecido pela banda Green Day, responsável pelo show de abertura. O grupo tocou o sucesso "American Idiot" e, embora o vocalista Billie Joe Armstrong não tenha citado o presidente nominalmente, a performance manteve o histórico de posicionamento político da banda.

Se os números da NBC se confirmarem no balanço consolidado, a apresentação de Bad Bunny se tornará a mais assistida da história da emissora, superando o recorde de 133 milhões de visualizações do ano passado.

Comentários


Instagram

Facebook