Caetano Veloso e Maria Bethânia fazem história e consagram a MPB com vitória no Grammy 2026

Em noite de celebração inédita para a música brasileira, cerimônia nos Estados Unidos também foi palco de fortes protestos de Bad Bunny e Billie Eilish contra a política imigratória americana.
Foto: Reprodução/Instagram
  • Da Mega
  • Atualizado: 02/02/2026, 04:37h

A noite deste domingo (1º) entrou para a história da cultura brasileira com uma vitória monumental na 68ª edição do Grammy Awards, a maior premiação da indústria fonográfica mundial. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia conquistaram o gramofone dourado na categoria de Melhor Álbum de Música Global com o disco “Caetano e Bethânia Ao Vivo”. O triunfo marca um momento de consagração definitiva, especialmente para Maria Bethânia, que, prestes a completar 80 anos em junho, recebe sua primeira estatueta da Academia, reparando uma lacuna histórica em relação às grandes divas da MPB.

A vitória brasileira ganha contornos de grandiosidade ao se observar a lista de concorrentes superados. O álbum dos baianos desbancou favoritos internacionais como o nigeriano Burna Boy, o senegalês Youssou N'Dour e a banda Shakti, reafirmando a potência e a sofisticação da música em língua portuguesa no cenário global. Embora os artistas não estivessem presentes na cerimônia em Los Angeles — o prêmio foi recebido pela apresentadora Dee Dee Bridgewater —, a repercussão do feito foi imediata. Para Caetano, que já possuía estatuetas pelos álbuns “Livro” (2000) e “João Voz e Violão” (2001), o prêmio reafirma seu prestígio internacional. Já para Bethânia, a conquista a coloca em um patamar de reconhecimento externo que nem mesmo contemporâneas lendárias como Elis Regina e Gal Costa alcançaram em vida.

O palco como tribuna política

Enquanto o Brasil celebrava seus ídolos, o clima dentro da Crypto.com Arena foi marcado por tensão política e discursos inflamados. A cerimônia serviu de amplificador para os protestos que tomam as ruas dos Estados Unidos contra as táticas agressivas do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas). O astro porto-riquenho Bad Bunny, vencedor na categoria de Melhor Álbum de Música Urbana, foi ovacionado ao recusar rótulos xenofóbicos em seu discurso. "Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos. O ódio se torna mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor", declarou o artista, em uma fala direta contra a desumanização dos latinos.

A crítica à política de fronteiras ganhou ainda mais força com a estrela pop Billie Eilish. Ao subir ao palco para receber o prêmio de Canção do Ano, a cantora não poupou palavras, afirmando que "ninguém é ilegal em terras roubadas" e encerrando sua fala com um ataque direto à agência federal. A postura dos vencedores foi acompanhada por outros artistas, como Justin Bieber e Kehlani, que cruzaram o tapete vermelho exibindo broches com a frase "ICE OUT" (Fora ICE). O movimento artístico é um reflexo direto da revolta popular desencadeada pela morte recente de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, durante operações de agentes federais em Minneapolis, episódio que reacendeu o debate sobre direitos humanos e violência policial no país.

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