Futevôlei: a praia que Vitória da Conquista criou na areia
Vitória da Conquista pode até não ter mar nem rio, mas quando o assunto é esporte, a cidade sabe muito bem como criar sua própria “praia”. Entre redes, bolas e muita areia, o futevôlei ganhou espaço, adeptos e adeptos — e um dos grandes responsáveis por essa história atende pelo nome de Denis Machado , o primeiro professor da modalidade no município.
Em entrevista ao Giro Esportivo , na Mega Rádio, Denis falou com entusiasmo sobre um esporte que chegou discretamente e hoje se espalha por arenas, condomínios e centros de treinamento da cidade. "Conquista é apaixonada por esporte. Aqui tem futevôlei, tênis de praia, vôlei de areia... mesmo sem praia, a galera faz acontecer", resume.
A história do futevôlei em Vitória da Conquista começa ainda nos tempos da antiga AABB e da região da Avenida Olívia Flores, com personagens conhecidos do esporte local, como Rubão, professor Janote e Erlon. Depois dessa primeira geração, veio a de Denis, que se tornou pioneiro ao oferecer aulas regulares da modalidade na cidade. “Sou o primeiro professor de futevôlei daqui, e é gratificante ver o quanto isso cresceu”, conta.
O crescimento é visível. Antes da pandemia, existia apenas um centro de treinamento esportivo. Hoje, já são cerca de sete arenas espalhadas pela cidade. Denis atua atualmente no CT Neto Vegas, na Arena Unimed , um dos polos dessa expansão. “É um esporte que vem crescendo muito, com muitos adeptos, homens e mulheres. As mulheres, inclusive, estão tomando conta”, destaca.
E não é exagero. Torneios locais comprovam essa força. O Open Conquista , realizado no CT Praia Conquista, já é considerado um dos melhores campeonatos de futevôlei da Bahia, reunindo atletas profissionais e amadores de diversas regiões do país, inclusive no feminino. “Vem gente do Brasil inteiro jogar aqui”, afirma o professor.
Apesar da imagem de um esporte técnico e cheio de malabarismos, Denis faz questão de desmistificar: qualquer pessoa pode praticar futevôlei . "Homem, mulher, criança... todo mundo. E, olha, quem nunca jogou bola muitas vezes aprende até mais rápido, porque não tem vício", explica. Segundo ele, os alunos sem experiência no futebol tradicional acabam assimilando melhor os fundamentos.
Para crianças, o trabalho é diferenciado. A partir dos 12 anos, já é possível iniciar treinos mais específicos, sempre respeitando o ritmo e o desenvolvimento de cada um. "A gente trabalha muito fundamento: chapa, ombro, cabeça. Tudo com cuidado", diz.
Histórias curiosas não faltam. Denis conta, com bom humor, que já fez até apostar com aluno que se dizia “ruim dos ruins”. O desafio? Transformá-lo em jogador em um ano. Resultado: o aluno evoluiu, passou a jogar em tempo — e o professor ganhou um celular pela promessa cumprida.
Além das aulas regulares, o calendário de 2026 promete movimentar ainda mais a modalidade. Em abril, está previsto o primeiro torneio interno do CT Neto Vegas, e, no segundo semestre, a ideia é realizar um regional aberto , reunindo atletas de toda a Bahia.
Para quem se animou, o caminho é simples: procurar o professor Denis no CT Neto Vegas, fazer uma aula experimental e se deixar contagiar. "Depois que começa, não larga mais. O futevôlei é viciante", garante.
Em Vitória da Conquista, a areia virou palco, a rede virou convite e o futevôlei, mais do que um esporte, virou prova de que paixão e dedicação são capazes de criar praia onde antes só havia chão.
Veja uma entrevista:









