Volta às aulas reacende alerta para viroses e reforça a importância da vacinação infantil

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 27/01/2026, 08:49h

O início do ano letivo costuma trazer um cenário conhecido para muitas famílias: espirros, tosse, nariz escorrendo e, em alguns casos, sintomas gastrointestinais entre as crianças. A explicação está no convívio intenso em ambientes fechados, como salas de aula e transporte escolar, que favorece a transmissão de doenças, especialmente as infectocontagiosas.

Esse aumento de casos é comum nesse período. Segundo a infectologista Juliana Framil, do Sabará Hospital Infantil, o retorno às aulas é historicamente marcado pela maior circulação de viroses respiratórias e do trato gastrointestinal. Na infância, esses quadros tendem a ocorrer com mais frequência porque o sistema imunológico ainda está em processo de amadurecimento e, muitas vezes, é o primeiro contato da criança com determinados vírus.

Nos últimos anos, a Covid-19 passou a integrar a lista de preocupações dos pais. No entanto, especialistas destacam que, atualmente, a situação está mais controlada, com menor circulação do vírus e redução no número de casos. Além disso, há vacinas disponíveis que protegem contra a Covid-19 e diversas outras doenças que representam risco para o público infantil, o que torna o ambiente escolar mais seguro quando as medidas de prevenção são seguidas.

A vacinação é apontada pela Organização Mundial da Saúde como uma das estratégias de saúde pública mais eficazes na prevenção de doenças infecciosas. Manter a caderneta em dia contribui para o fortalecimento do sistema imunológico das crianças e reduz significativamente o risco de complicações graves. Apesar disso, o Brasil enfrenta uma queda preocupante nas coberturas vacinais desde 2015, agravada durante a pandemia, o que aumenta a possibilidade de retorno de doenças já controladas, como sarampo e poliomielite.

Especialistas reforçam que a principal forma de prevenir adoecimentos ou reduzir sua gravidade, em qualquer época do ano, é garantir que as vacinas estejam atualizadas. O pediatra Abelardo Bastos Pinto Jr., presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria, alerta que não é apenas a Covid-19 que preocupa. Doenças como sarampo, caxumba, catapora, difteria, tétano e coqueluche continuam presentes e podem ser evitadas com a imunização. Valorizar as vacinas é uma atitude essencial para proteger as crianças e evitar a vulnerabilização no ambiente escolar.

No caso da Covid-19, a vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz de forma significativa o risco de casos graves, de complicações prolongadas conhecidas como Covid longa e da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. Até os nove anos de idade, a Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda 19 vacinas para crianças. Como os esquemas variam, a orientação é que os pais procurem um pediatra ou uma unidade de saúde para verificar se a caderneta está completa. O ideal é atualizar as vacinas entre 15 e 30 dias antes do início das aulas, permitindo que o organismo produza anticorpos. A maioria dessas vacinas está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

Além da vacinação, outras medidas ajudam a reduzir a circulação de vírus no ambiente escolar. Entre elas estão a higienização frequente das mãos, a adoção da etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, a não partilha de objetos pessoais, a ventilação adequada dos espaços e a limpeza regular das salas e carteiras. Também é fundamental que crianças doentes não sejam levadas à escola e que os pais comuniquem a instituição em caso de diagnóstico de doença contagiosa, contribuindo para a prevenção coletiva.

Por fim, a preparação para a volta às aulas vai além da saúde física. Retomar gradualmente a rotina de alimentação equilibrada, horários regulares de sono e redução do tempo de telas, ainda durante as férias, ajuda a fortalecer a imunidade e facilita a adaptação emocional das crianças. Informar-se, prevenir e vacinar são atitudes que protegem não apenas cada aluno, mas toda a comunidade escolar.

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