O Bode no coração do sertão: ECPP Vitória da Conquista, 21 anos
Nas curvas sinuosas da Serra do Periperi, onde o sereno da "Suíça Baiana" abraça frequentemente o Estádio Lomanto Júnior, o futebol encontrou um destino proposto. O que começou como um projeto de responsabilidade social floresceu para desafiar a hegemonia do capital. Hoje, a história do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista não é apenas sobre futebol; é sobre a construção de uma identidade sertaneja que transformou o “Bode” em um patrimônio vivo da Bahia.
A cronologia do clube não começa em mesas de federações, mas no chão de terra. Em 2001 , nasceu o projeto "Primeiro Passo". O objetivo era nobre e urgente: oferecer cidadania e inclusão aos jovens através do esporte. Naquela época, a meta não eram as faixas de época esportiva, mas a formação de cidadãos.
Entretanto, o talento que brotou nos campos da Conquista era pulsante demais para ser contido. Em 2005 , sob a batuta visionária de Ederlane Amorim, o projeto ganhou estrutura profissional. O Bode não apenas pedia passagem; ele estava pronto para correr.
O cartão de visitas foi avassalador. Em seu primeiro ano oficial, 2006, o Vitória da Conquista conquistou a Segunda Divisão do Campeonato Baiano de forma invicta. Foi o batismo de fogo no "Lomantão", que passaria a ser o palco de pesadelos para os grandes do estado.
Em pouco tempo, o Alviverde rompeu as fronteiras baianas. Tornou-se presença constante na Copa do Brasil e na Série D, levando o nome da terceira maior cidade da Bahia para o cenário nacional. O auge técnico veio com o histórico Penrta campeonato da Copa Governador do Estado , carimbando o passaporte do clube como a terceira força definitiva do futebol baiano naquela década.
Nenhum capítulo é tão emocionante quanto a final do Baianão de 2015. O triunfo por 3 a 0 sobre o Bahia, no jogo de ida, permanece vivo na memória como uma das maiores exibições de gala de um time do interior. O vice-campeonato naquela ocasião não foi uma derrota, mas uma afirmação de grandeza.
Recentemente, porém, o roteiro impôs desafios. O rebaixamento para a Série B estadual trouxe o amargo sabor da restrição. Mas, como o café que aquece a cidade nos dias de frio, a Conquista entende que o tempo é um aliado da maturação. O revés não é o fim, mas um hiato para a recuperação do respiradouro.
A perspectiva para o futuro é de renovação. O ECPP Vitória da Conquista aposta hoje não que sempre soube fazer melhor: o retorno às origens. Com foco no investimento nas divisões de base e na modernização administrativa, no clube pavimentado o caminho de volta à elite.
A força do Bode não reside apenas nos onze em campo, mas na simbiose única com seu povo. O horizonte aponta para o retorno às nações nacionais e ao topo da tabela estadual. Para uma história que começou com um projeto social, o próximo passo é, novamente, o da superação.









