Isolamento Aéreo: o custo da conexão entre a terceira maior cidade da Bahia e a capital
Foto: Patrícia Lanini. Divulgação NOA Airports
Separadas por cerca de 500 km, Vitória da Conquista e Salvador vivem hoje um paradoxo logístico. Enquanto a Suíça Baiana se consolida como o principal polo de serviços e educação do sudoeste do estado e do norte de Minas Gerais, a conexão aérea com a capital baiana caminha na contramão desse crescimento. A escassez de frequências diretas e os preços proibitivos das passagens tornaram-se o principal gargalo para o desenvolvimento regional.
Atualmente, o cenário é de desolação para quem precisa de agilidade. O que deveria ser um salto de 50 minutos entre o Aeroporto Glauber Rocha e o deputado Luís Eduardo Magalhães se transformaram, em muitos casos, em uma jornada de meio dia, com escalas em hubs distantes como São Paulo (Congonhas/Guarulhos) ou Belo Horizonte (Confins).
A Voz de quem Luta pelo Setor
José Maria Caires, empresário e uma das lideranças mais atuantes na defesa da infraestrutura aeroportuária da região, expressa a frustração do setor produtivo e dos cidadãos. Segundo ele, a malha aérea atual ignora a relevância econômica da terceira maior cidade do estado.
"Nossa ligação aérea Conquista-Salvador, que era diária e direta, passava a ser com conexão em São Paulo ou Belo Horizonte. Ainda nos resta apenas um voo direto na segunda, quarta ou sexta-feira. É realmente muito pouco, dada a importância da cidade", pontua Caires.
Além da baixa oferta, o bolso do consumidor é o mais prejudicado. Não é raro encontrar bilhetes para Salvador com valores superiores a destinos internacionais ou grandes capitais do Sudeste, o que inviabiliza o uso do transporte aéreo para urgências médicas, negócios ou turismo rápido.
O Desafio das Tarifas e a Estratégia de Compra
Apesar das diversas críticas aos valores praticados pelas companhias aéreas, Caires ressalta que o planejamento ainda é a única arma do consumidor contra os preços abusivos.
“Vamos neste ano que se inicia continuar cobrando melhores tarifas e voos diários. Porém, se sua viagem para programada e com antecedência, já existem preços compatíveis com os de ônibus leito”, orienta o empresário, sinalizando que a previsibilidade pode mitigar o prejuízo, embora não resolva o problema estrutural da falta de concorrência e de acordos.
Impacto no Desenvolvimento
A dificuldade de acesso aéreo não afeta apenas o passageiro comum. O setor de eventos, o agronegócio e a indústria médica sofrem com a perda de competitividade. Empresários locais relatam que especialistas e investidores muitas vezes desistem de visitar a cidade devido à malha aérea "quebrada" ou ao custo operacional da viagem.
A expectativa da população de Vitória da Conquista é que, com o início de 2026, as autoridades estaduais e as transportadoras de voos revejam os incentivos fiscais e a distribuição de slots, devolvendo à cidade o status de conectividade que sua economia exige.








