Pedágio não é apenas tarifa: conheça os serviços e direitos que você paga ao viajar
Para muitos motoristas, o ato de encostar o carro na cabine de pedágio e pagar a tarifa é visto apenas como um custo logístico para seguir viagem. No entanto, juridicamente, esse pagamento configura a contratação de um serviço. Ao cruzar a cancelar, o condutor passa a ser protegido pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) , o que obriga as concessionárias a entregarem muito mais do que apenas um asfalto liso.
Seja em uma viagem de férias ou no transporte de cargas, o usuário tem direitos garantidos que vão desde o socorro mecânico gratuito até a indenização por danos materiais. Confira abaixo o que você pode — e deve — exigir ao trafegar por uma rodovia concedida.
1. Assistência 24 Horas: O "Seguro" que você já pagou
Diferente de uma estrada pública sob gestão direta do governo, a rodovia privatizada precisa oferecer suporte imediato. Se o seu veículo apresentar uma falha, você tem direito a:
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Guincho gratuito: A remoção do veículo até um ponto seguro (geralmente o posto de serviço mais próximo) para desobstruir a via.
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Socorro Médico: Ambulâncias com equipes de resgate prontas para atendimento pré-hospitalar em caso de acidentes.
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Reparos Básicos: Apoio para troca de pneus, auxílio em caso de painel seco (falta de combustível) ou carga de bateria.
2. Segurança e Manutenção da Via
A entrega é remunerada para garantir que a pista esteja nas condições ideais. Isso inclui:
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Sinalização impecável: Placas visíveis e faixas bem pintadas, inclusive sob chuva ou neblina.
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Monitoramento: A empresa deve circular com viaturas de inspeção para identificar e remover objetos, restos de pneus ou animais que possam causar acidentes.
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Pista sem buracos: Qualquer dano ao veículo causado pela má conservação do asfalto é de responsabilidade da empresa.
3. Responsabilidade Objetiva: O Direito à Indenização
Um dos pontos mais importantes — e menos conhecidos — é a Responsabilidade Objetiva . Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a expedição responde por danos causados aos usuários independentemente de culpa direta.
"Se um motorista colide com um cavalo na pista ou tem o cárter do motor quebrado por uma pedra solta no asfalto, a empresa é obrigada a ressarcir o prejuízo. O entendimento é que a engenharia falhou no dever de vigilância e segurança", explica o setor jurídico consultado.
Passo a passo: O que fazer em caso de incidentes?
Para garantir que seu direito seja respeitado e facilitar uma eventual ação de ressarcimento, siga estas orientações:
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Guarde o Comprovante: O recibo do pedágio é a sua "nota fiscal". Sem ele, fica difícil provar que você estava sob a tutela daquela ocorrência no momento do ocorrido.
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Cadastre o local: Em caso de dano ou acidente, fotos de pneus do problema (o buraco, o animal ou o objeto na pista) e a placa do carro.
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Ação ou 0800: Toda rodovia tem um número de emergência. Registre a ocorrência imediatamente com o atendente e anote o número do protocolo.
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Boletim de Ocorrência: Se houver danos ou vítimas, exija o registro da Polícia Rodoviária.
Direitos além do asfalto
Para os profissionais do volante, as regras recentes também desativaram a oferta de Áreas de Descanso (PADs) para caminhoneiros, com sanitários, chuveiros e áreas de segurança com condições de higiene adequadas.
Ao planejar sua próxima viagem, lembre-se: o valor pago no pedágio é o seu contrato de segurança. Exija que ele seja cumprido.








