TST reconhece legalidade da greve dos Correios, mas autoriza desconto dos dias parados

  • Da Mega
  • Atualizado: 03/01/2026, 08:37h

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou  legal a greve dos trabalhadores dos Correios , encerrada nesta quarta-feira (31) após duas semanas de paralisação. A Corte determinou o  retorno imediato às atividades , permitindo, porém, que a empresa desconte os  dias não trabalhados em três parcelas monetárias iguais .

A decisão foi tomada na  sessão extraordinária da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) , realizada na terça-feira (30). O julgamento, conduzido pela relatora ministra  Kátia Magalhães Arruda , confirmou que o movimento não teve caráter abusivo, embora tenha causado impacto direto nas operações da estatal.

Além de considerar a legitimidade da greve, o TST manteve as cláusulas do  Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2024/2025 , que garantem  reajuste salarial de 5,10% , correspondente à inflação do período. A decisão valerá até  1º de agosto de 2026 , quando um novo ACT deverá ser negociado entre empresas e sindicatos.

Greve em meio à crise financeira

A paralisação, iniciada em  16 de dezembro , atingiu centros de distribuição e agências em nove estados — Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O movimento ocorreu em um contexto de  forte crise financeira nos Correios , que recentemente anunciaram o  fechamento de mil agências  e  a demissão de 15 mil funcionários  por meio de programas de desligamento voluntário.

"Esse resultado é fruto da mobilização da categoria e garante nossos direitos e o regime salarial. Passamos os últimos 16 dias afirmando que os trabalhadores não são responsáveis ​​por essa crise", declarou  Emerson Marinho , secretário-geral da  Fentect  (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), após o julgamento.

Negociações e próximos passos

De acordo com a relatora,  as negociações entre Correios e sindicatos  começaram em julho e se estenderam até dezembro, sem consenso. Com a manutenção do acordo coletivo anterior, as  bases salariais e benefícios permanecem válidos  até a nova rodada de negociação, prevista para 2026.

Os Correios, até o momento,  não se pronunciaram oficialmente  sobre o resultado do julgamento.

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