TST reconhece legalidade da greve dos Correios, mas autoriza desconto dos dias parados
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou legal a greve dos trabalhadores dos Correios , encerrada nesta quarta-feira (31) após duas semanas de paralisação. A Corte determinou o retorno imediato às atividades , permitindo, porém, que a empresa desconte os dias não trabalhados em três parcelas monetárias iguais .
A decisão foi tomada na sessão extraordinária da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) , realizada na terça-feira (30). O julgamento, conduzido pela relatora ministra Kátia Magalhães Arruda , confirmou que o movimento não teve caráter abusivo, embora tenha causado impacto direto nas operações da estatal.
Além de considerar a legitimidade da greve, o TST manteve as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2024/2025 , que garantem reajuste salarial de 5,10% , correspondente à inflação do período. A decisão valerá até 1º de agosto de 2026 , quando um novo ACT deverá ser negociado entre empresas e sindicatos.
Greve em meio à crise financeira
A paralisação, iniciada em 16 de dezembro , atingiu centros de distribuição e agências em nove estados — Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O movimento ocorreu em um contexto de forte crise financeira nos Correios , que recentemente anunciaram o fechamento de mil agências e a demissão de 15 mil funcionários por meio de programas de desligamento voluntário.
"Esse resultado é fruto da mobilização da categoria e garante nossos direitos e o regime salarial. Passamos os últimos 16 dias afirmando que os trabalhadores não são responsáveis por essa crise", declarou Emerson Marinho , secretário-geral da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), após o julgamento.
Negociações e próximos passos
De acordo com a relatora, as negociações entre Correios e sindicatos começaram em julho e se estenderam até dezembro, sem consenso. Com a manutenção do acordo coletivo anterior, as bases salariais e benefícios permanecem válidos até a nova rodada de negociação, prevista para 2026.
Os Correios, até o momento, não se pronunciaram oficialmente sobre o resultado do julgamento.








