Retrospectiva 2025 — A fúria da Geração Z
Singha Durbar: incêndio atingiu sede do governo do Nepal em meio a protestos liderados por jovens contra corrupção e desigualdade (Prabin Ranabhat/AFP/Getty Images)
Ao longo de 2025, a chamada Geração Z consolidou-se como uma das forças mais ruidosas e influentes do debate público. Jovens que cresceram em meio a crises sucessivas — econômica, climática, sanitária e institucional — transformaram frustração em mobilização, ocupando ruas, redes sociais e espaços de poder simbólico com um discurso direto, impaciente e, muitas vezes, confrontacional.
A fúria atribuída a essa geração não surgiu do acaso. Ela foi alimentada por um sentimento persistente de insegurança quanto ao futuro: dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, precarização das relações profissionais, alto custo de vida e a percepção de que decisões tomadas por gerações anteriores comprometeram oportunidades e direitos. Em 2025, esse descontentamento ganhou forma em protestos, campanhas digitais, boicotes e uma produção intensa de conteúdo crítico.
As redes sociais seguiram como principal arena de expressão. Plataformas digitais funcionaram tanto como espaço de denúncia quanto de articulação, ampliando vozes antes marginalizadas e acelerando debates sobre justiça social, mudanças climáticas, saúde mental, diversidade e representatividade. Ao mesmo tempo, o tom mais duro e a rejeição a discursos considerados vazios ou institucionais expuseram um choque geracional cada vez mais evidente.
No campo político, a Geração Z pressionou governos e partidos, cobrando coerência entre discurso e prática. Em vários contextos, mostrou pouca tolerância a promessas não cumpridas e escândalos, reforçando a desconfiança em relação às estruturas tradicionais de poder. Essa postura contribuiu para redefinir estratégias de comunicação e obrigou lideranças a dialogar em novas linguagens.
A retrospectiva de 2025 aponta que a fúria da Geração Z não pode ser reduzida a rebeldia ou inconformismo juvenil. Trata-se de uma reação a um mundo percebido como instável e desigual, e também de uma tentativa de reescrever prioridades coletivas. Entre ruídos, confrontos e propostas, essa geração deixou claro que não pretende apenas herdar o futuro — quer disputá-lo agora.








