Retrospectiva 2025 - O ano em que a tarifa virou arma

  • Da Mega
  • Atualizado: 29/12/2025, 09:33h

O segundo mandato de Donald Trump transformou 2025 em um ano marcado por tarifas agressivas, múltiplas frentes de guerra comercial e um clima de incerteza na economia global. O discurso de “tariff is the most beautiful word” saiu do palanque e virou eixo central da política externa econômica dos Estados Unidos.​

Logo nos primeiros meses do novo mandato, Trump decretou emergência nacional para, na prática, ganhar carta branca e impor tarifas generalizadas sobre praticamente todas as importações. Em abril, entrou em vigor um tarifa-base de 10% sobre bens vindos de quase todos os países, empurrando o mundo para uma nova rodada de guerras comerciais.​

  • A Casa Branca passou a falar em “tarifas recíprocas”, prometendo taxar cada país no nível que, segundo Trump, eles imporiam aos EUA.​

  • O resultado foi uma escalada rápida: em poucos meses, as tarifas passaram de medidas pontuais para um sistema quase global de sobretaxação sobre aço, alumínio, automóveis e uma série de produtos industriais.​

China no centro do furacão

A relação com a China voltou a ser o epicentro da disputa, agora em uma versão 2.0 da guerra comercial. Washington elevou de forma drástica as tarifas sobre produtos chineses, enquanto Pequim respondeu com retaliações seletivas e um uso estratégico de insumos críticos.​

  • As tarifas norte‑americanas sobre importações chinesas atingiram patamares acima de 50% em vários segmentos, ao mesmo tempo em que a China restringiu exportações de minerais raros fundamentais para a indústria de alta tecnologia.​

  • Em outubro, Trump anunciou um novo pacote com tarifa de 100% sobre uma ampla cesta de bens chineses, em resposta ao endurecimento chinês no controle de terras‑raras, aprofundando a ruptura das cadeias globais de suprimento.​

Aliados sob fogo: Canadá, México e Europa

Nem os aliados tradicionais escaparam da ofensiva tarifária. Canadá e México, principais parceiros no USMCA, viram o retorno de tarifas sobre aço, alumínio e uma ofensiva retórica que ligava comércio a temas como imigração e combate às drogas.​

  • No caso europeu, Trump classificou a União Europeia como “pior do que a China” e ameaçou tarifas de até 50% sobre produtos do bloco, com foco em automóveis, aço e alumínio.​

  • Depois de semanas de tensão, Washington e Bruxelas anunciaram um acordo parcial: a UE aceitou um tarifa de 15% em vários setores, enquanto manteve, porém, tarifas de 50% sobre aço, alumínio e cobre.​

Reação global e impactos econômicos

A ofensiva tarifária desencadeou uma resposta coordenada de vários parceiros comerciais, com pacotes de retaliação contra produtos norte‑americanos. De Europa a China, passando por Canadá, Brasil e Índia, multiplicaram‑se sobretaxas, cotas e barreiras regulatórias contra bens dos EUA.​

  • Relatórios independentes apontam que 2025 terminou com os Estados Unidos envolvidos em algum tipo de disputa tarifária com praticamente todas as grandes economias do planeta, num cenário descrito como “ano da tarifa”.​

  • O encarecimento do comércio pressionou cadeias produtivas, elevou custos industriais e alimentou a volatilidade nos mercados financeiros, com episódios de forte correção em bolsas ao longo do ano.​

Na retrospectiva, o segundo mandato de Trump aparece como um ponto de inflexão: os EUA passaram de promotor histórico da liberalização comercial a protagonista de um confronto tarifário em múltiplas frentes. Em nome da reindustrialização e do “America First”, a Casa Branca reescreveu décadas de política comercial, usando tarifas como instrumento de pressão geopolítica e de política interna, com efeitos que vão muito além de Washington e já redesenham o mapa do comércio mundial.​

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