Quando o perigo está em casa: acidentes com idosos e o desafio da prevenção no Brasil

Imagem: Site Conecta Pato Branco
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 27/08/2025, 09:21h

O lar, muitas vezes visto como um espaço de acolhimento e segurança, pode esconder riscos silenciosos para a população idosa. Escadas sem corrimão, tapetes soltos, iluminação deficiente e superfícies escorregadias estão entre os principais fatores que transformam as residências em cenários de acidentes graves — que, na maioria das vezes, poderiam ser evitados.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2023 e 2024, 11.801 idosos morreram em decorrência de acidentes ocorridos dentro de casa, sendo as quedas a principal causa. Entre os tipos mais comuns, destacam-se as quedas no mesmo nível (4.813 óbitos), os escorregões e tropeços (2.537) e incidentes não especificados (902).

No mesmo período, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) contabilizou 328.355 internações de pessoas com 65 anos ou mais relacionadas a esse tipo de ocorrência.

O que vemos nos dados é alarmante: milhares de internações e mortes poderiam ser evitadas com simples ajustes domésticos e cuidado diário”, alerta o Dr. Fábio Gomes, coordenador de práticas médicas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Um problema dentro de casa

Pesquisas indicam que 70% dos acidentes envolvendo idosos acontecem em ambientes domésticos. Entre aqueles com 80 anos ou mais, cerca de 40% sofrem pelo menos uma queda por ano.

A enfermeira Priscila Matiussi, também do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, chama atenção para as consequências invisíveis dessas ocorrências:

“A queda frequentemente inicia um ciclo de isolamento, fragilidade e dependência que compromete profundamente a qualidade de vida.”

Fatores de risco e soluções acessíveis

Os principais riscos dentro das residências incluem:

  • Tapetes soltos ou mal fixados

  • Superfícies escorregadias

  • Iluminação deficiente, especialmente à noite

  • Banheiros sem barras de apoio

  • Escadas sem corrimão

Especialistas reforçam que a prevenção é simples e de baixo custo. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Fixar ou remover tapetes;

  • Instalar barras de apoio em banheiros e corrimãos em escadas;

  • Utilizar pisos antiderrapantes;

  • Garantir boa iluminação em corredores e quartos;

  • Manter as áreas de circulação livres de obstáculos como fios e móveis mal posicionados.

Além das adaptações estruturais, o cuidado deve envolver também a atenção integral à saúde. Avaliações regulares de visão, equilíbrio e força muscular, assim como a revisão de medicamentos que possam causar tontura, são medidas essenciais.

A prática de atividades físicas — como caminhadas, pilates e dança adaptada — fortalece o corpo e melhora a coordenação motora, reduzindo significativamente os riscos.

Um compromisso coletivo

Promover a segurança de pessoas idosas dentro de casa é mais do que uma medida de saúde pública. É um gesto de respeito e responsabilidade social.

Cada medida adotada, por menor que pareça, contribui para preservar a autonomia, fortalecer vínculos familiares e garantir que o envelhecimento ocorra com mais dignidade”, reforça a equipe do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O desafio é coletivo: famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e a sociedade precisam atuar juntos para transformar os lares em espaços de cuidado e não de risco.

Fonte: Portal Incluir

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