Dia Mundial do Autista: relembre histórias e denúncias publicadas pela Mega
Nesta quarta-feira, 2 de abril, se comemora o Dia Mundial do Autista, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) há quase 18 anos, em dezembro de 2007. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, num dado divulgado no ano passado, cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo possuem o Transtorno de Espectro Autista (TEA).
Em Vitória da Conquista, de acordo com a Associação Conquistense para Atendimento Especializado à Pessoa Autista (ACAEPA) há, aproximadamente, 8 mil autistas, um número em constante crescimento. “Não tem um dia que não recebemos de 3 a 4 ligações de pais buscando por ajuda porque teve o filho ou filha diagnosticado com TEA”, diz Vitória Aparecida, idealizadora e presidente da ACAEPA.
Os autistas ainda são cercados pelo preconceito sobre a sua condição e também por tentativas frustradas de inclusão, que existem na teoria, mas tem um funcionamento ruim na prática. A respeito deste tema, em julho de 2024, o jornalista Caíque Santos escreveu duas reportagens para a Mega onde expôs as dificuldades enfrentadas por estudantes diagnosticados com TEA em escolas e universidades. Leia um trecho abaixo:
Afonso de Carvalho, um estudante de 32 anos do curso de Engenharia Elétrica do IFBA de Vitória da Conquista, descreve seu dia acadêmico como uma luta constante para encontrar o equilíbrio entre as atividades e seu bem-estar físico e mental. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele enfrenta dificuldades sensoriais intensas que tornam o ambiente escolar um desafio.
“Ficar dentro da sala com calor e muita dor de cabeça por conta das lâmpadas ou ser obrigado a socializar com alguém para fazer alguma atividade” são algumas de tantas outras condições que Afonso precisa lidar, como ele nos relata.
Raquel Correia recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 e superdotação tardiamente, quando tinha 30 anos. “Foi percebido por mim mesma, devido às minhas dificuldades sociais e acadêmicas”, diz. Por conta dos sintomas, interrompeu a faculdade de Engenharia Elétrica por duas vezes, uma no IFBA e outra na FAINOR, mas após o diagnóstico conseguiu se formar em Direito, enfrentando dificuldades, como a socialização, por exemplo.
“Eu sou uma pessoa autista e introvertida, nem todo introvertido é autista, mas todo autista é introvertido”, explica. “Também não sei lidar com mudanças repentinas de rotina, situações inesperadas. Por conta da rigidez cognitiva, meu humor muda completamente, me desregulo, fico nervosa, tenho crise de choro. Outras pessoas não entendem e só pioram a situação”.
Ainda na mesma série de reportagens, Caíque abordou também sobre as dificuldades vividas pelos pais de crianças autistas, como a luta pelo diagnóstico e a falta de clínicas especializadas para lidar com pessoas com TEA no município.
“O nosso sonho é ter um Centro Especializado aqui em Vitória da Conquista. As pessoas que precisam, que não têm condições de pagar um plano, só que a demanda está crescendo. Quando pensarem em fazer isso, não vai dar conta. Isso se chama também planejamento e política pública”, alertou Ione Macedo Nery, mãe de Francisco, uma criança autista, em entrevista para Caíque.
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Já neste ano, em fevereiro, a Mega recebeu uma denúncia de duas mães de crianças autistas, que, na ocasião, alegaram negligência por parte da Prefeitura Municipal quanto à educação dos seus filhos, já que cuidadores não foram disponibilizados para lidar com autistas e, por isso, os professores não aceitaram as crianças na sala.
Monique, uma das mães, tem dois filhos; uma menina de seis anos e um menino de quase três, ambos autistas. Sua filha está matriculada na Escola Municipal Batista Tia Zefa, no bairro Guarani, e seu filho na Creche Municipal Dinaelza Coqueiro. Segundo ela, ao levar o filho para a creche, a professora pediu para que os dois voltassem para casa, pois não havia um cuidador na sala.
“Ela virou e falou assim: 'levanta e vai embora, porque ele é uma das crianças que têm laudo aqui. Ele não fica na minha sala, porque tá sem cuidador e a Prefeitura não mandou, então aqui ele não vai ficar. Pode ir embora, que quando a prefeitura mandar o cuidador pra ele, aí ele pode vir” , relatou Monique para a nossa reportagem.
Após o episódio, Monique procurou tanto a Prefeitura quanto o Conselho Tutelar. Na Prefeitura, atendida por representantes da Secretaria da Educação, foi informado que nem todas as crianças terão um cuidador e que isso dependerá do laudo apresentado. Já no Conselho Tutelar, recebeu a informação e, segundo a mãe, afirmou que a creche estaria cometendo um crime ao expulsar o garoto pela falta de cuidador, algo que é responsabilidade da Gestão Municipal.
“Meu filho não tá indo pra escola desde quarta-feira porque foi expulso da sala de aula, eu não sei mais pra quem recorre ou quem procura. Fui à defesa por estar numa lista de espera de mais de 100 nomes de crianças para dar entrada em processos. Não estou conseguindo processos desde o ano passado, entendeu? Para nada, nenhuma das mães está conseguindo. Tem mães também que a criança também foi expulsa da sala, tem mães que ficaram com a criança dentro da sala, por quê? Porque não tem o cuidador”, completou Monique.
Em um pronunciamento para a equipe de Jornalismo da Mega, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação (SECOM), respondeu que “as unidades de ensino público do município ainda estão em fase de ajustes, com entrada e saída de alunos com deficiência, somente no final de fevereiro a Smed terá uma estimativa deste número para publicar novo edital de seleção pública envolvido na contratação de novos auxiliares de vida escolar.”
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